O peregrino não se avilta na chuva.
Nem o sol lhe traz a inquietação
por uma porção de sombra.
Seguir é preciso.
O caminho de cascalho
crepita em cada passada.
Depois vem a lama,
o asfalto e as subidas abissais.
Lá do alto,
o vale exulta verdes
sem acanhamento.
Revela-se o Deus de Spinoza
justificando tamanho desafio.
O caminho da fé.
Montes esculpidos em outras eras
alternam-se com pequenas capelas.
Não há espaço para o fraquejar
e ignorando os apelos do corpo
vence soberana a vontade.
Chega ao destino o peregrino
semblante tranquilo
e o sorriso da plenitude alcançada.
Saberá o coração recompensado
acolher-lhe os pés
em profunda gratidão.
Eliana Jimenez
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