segunda-feira, 4 de maio de 2026

O PEREGRINO




O peregrino não se avilta na chuva.

Nem o sol lhe traz a inquietação

por uma porção de sombra.

Seguir é preciso.

O caminho de cascalho

crepita em cada passada.

Depois vem a lama, 

o asfalto e as subidas abissais.

Lá do alto, 

o vale exulta verdes 

sem acanhamento.

Revela-se o Deus de Spinoza

justificando tamanho desafio.

O caminho da fé.

Montes esculpidos em outras eras 

alternam-se com pequenas capelas. 

Não há espaço para o fraquejar 

e ignorando os apelos do corpo 

vence soberana a vontade.

Chega ao destino o peregrino 

semblante tranquilo 

e o sorriso da plenitude alcançada.

Saberá o coração recompensado 

acolher-lhe os pés

em profunda gratidão.

Eliana Jimenez

                                                                                             

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