sexta-feira, 10 de março de 2017

Ovário

Com esta poesia alcancei o 100º. prêmio literário:



Ovário

Divido o ventre
com a semente
que se planta
e vivifica.

O óvulo concluso
cresce vagarosamente
mas o brilho no olhar
me identifica.

Afetos ao feto
e delicadamente
uma nova aventura
se descodifica.

Alguém me habita
homem, mulher
ou o que vier.
Ser mãe reabilita.


Eliana Ruiz Jimenez

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Tempo que resta





TEMPO QUE RESTA

O tempo é o canibal das horas.
Numa engolida se vão os dias,
as semanas vão virando refeição
e nos meses mastigados
revezam-se as estações
todas misturadas.
As prateleiras se enchem de panetones
e o leão morde meu ganha-pão
seguidamente.
Vou sendo devorada
sem ritual, sem festa
e a cada respirada
expiro minha existência
modesta.
A vida é tempo que escoa,
tempo que voa,
tempo que resta.

Eliana Ruiz Jimenez
3. Lugar no concurso
Novas Vozes da Poesia - BC - 2016

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

5º Prêmio Literário Sérgio Farina - São Leopoldo - RS



CORDÃO ETERNO

No colo, o filho
nas mãos, o livro:
leitura.
Olhinhos brilhantes
sorriso aberto
dedinhos
tocando figuras:
curiosidade.
A trama se inunda
de porquês.
A mãe explica
floreia
recria
recreio
prepara o caminho
de um novo leitor.
O pequeno herói
das fábulas e aventuras
se rende ao sono.
Na cama,
o aconchego.
O livro aguarda
no aparador.
No dia seguinte
um novo ritual
que para sempre
será saudade.
Mãe e filho
cordão umbilical
de leitura e amor.


Eliana Ruiz Jimenez





Selecionado para Antologia: http://www.saoleopoldo.rs.gov.br/?titulo=Not%EDcias&template=conteudo&categoria=2&codigoCategoria=2&idConteudo=2312&idNoticia=17986&tipoConteudo=INCLUDE_MOSTRA_NOTICIAS

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

32. FESTIVAL POÉTICO DO SESC/PR

 Vencedor na categoria comerciário


Vida verde

Araucárias
não baixam os braços​.​
Preferem ignorar
​a existência das motosserras
e reverenciam o céu
​pela seiva bruta
que ​lhes ​percorre​ o lenho.

Nas pequenas reservas
​de ​Mata ​Atlântica​
aroeiras
​orquídeas
​e erva mate
dividem sol​o e sol​.

Q​uando a tarde se recolhe
já ​desbotada de luz e cor
​o crepúsculo desabotoa a noite
aquietando os campos.

​Dormem os ipês
​contendo a brotação
​para acordarem
​no final do inverno
​esperando exibir
sua exuberância dourada
​em matas ainda
vivas
verdes
e preservadas.

Eliana Ruiz Jimenez

http://www.sescpr.com.br/2016/09/sesc-pr-divulga-contos-selecionados-no-32o-festival-poetico/

domingo, 11 de setembro de 2016

POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM - PORTO ALEGRE 2016


Pela terceira vez consecutiva um poema  de minha autoria vai circular 
por um ano no transporte público de Porto Alegre!


PALPITAÇÃO

 Na tomografia
meu coração não é
o desenho que eu fazia
decorado com flechas
e monogramas
ignorando a anatomia.

Meu coração é músculo
batedor
que vai em frente
tropica
e continuamente se estica
à procura do amor.


Eliana Ruiz Jimenez


http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/2016/09/poemas-selecionados-pelo-concurso.html

1. Lugar no III Concurso Internacional de Trovas da Argentina - Tema: Inveja


Bons sentimentos semeio,
não sou da inveja refém;
porque o bem-estar alheio
é o meu bem maior também.

Eliana Ruiz Jimenez

terça-feira, 26 de julho de 2016